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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Simone Weil, a graça sem rotulos


"Todos os movimentos naturais da alma são controlados por leis análogas às da gravidade e da física. A graça é a única exceção." Simone Weil


Simone Weil (1909-1943) foi uma mulher insuportável, idealista, ativista, engajada, asceta, iluminada e francesa. Para escândalo dos pais, recusou-se aos cinco anos a comer açúcar, porque ouviu que os soldados no front estavam privados dele. Pela mesma razão abandonou a carreira confortável de professora e foi trabalhar durante a Depressão entre gente operária numa fábrica da Renault, recusando-se a comer mais do que a ração dos proletários e participando ativamente de todos os piquetes e greves com que acenavam as lutas anti-estatistas. Problemas de saúde obrigaram-na a deixar a fábrica, mas ele aproveitou a deixa para juntar-se à causa dos radicais republicanos na sangrenta Guerra Civil da Espanha, Mesmo sendo míope e frágil, recebeu um rifle e foi incorporada a uma unidade de anarquistas jurando ao mesmo tempo jamais usar a arma que lhe colocariam nas mãos e na Resistência Francesa, em Londres; por ser bastante conhecida, foi impedida de retornar à França como pretendia; acometida de tuberculose, não teria admitido se alimentar além da ração diária permitida aos soldados, nos campos de batalha, ou aos civis pelos tickets de racionamento. Com a progressiva deterioração de seu estado de saúde, em estado de desnutrição, faleceu poucos dias depois de seu internamento hospitalar. Ela notou a subordinação, seja da social democracia à burguesia gestora do Estado capitalista, seja da Internacional comunista ou Komintern, à burocracia gestora do Estado soviético.Publicou um artigo considerado herético pelos marxistas ortodoxos "Vamos nós para a revolução proletária?", no qual enfatizava: a opressão do proletariado era causada pelas técnicas da produção industrial, presentes tanto no capitalismo quanto no socialismo burocrático vigente na Rússia. Aos materialistas históricos faltara a capacidade de enxergar o real com a lucidez que lhes permitisse tanto compreender a realidade histórica das primeiras décadas do século XX, quanto formular a crítica à infundada expectativa de uma efetiva ou iminente revolução proletária. A epígrafe desse artigo, que teve o mérito de antever a falência do socialismo real, eram os versos do Ajax de Sófocles: "não tenho senão desprezo pelos mortais que se nutrem de esperanças vãs". Talvez, como ela observou posteriormente: "não é a religião, mas a revolução que é o ópio do povo"A sua própria experiência de operária metalúrgica, iniciada alguns meses mais tarde, levou-a a mais e melhor compreender: em nenhum país onde prevaleciam as técnicas produtivas implantadas a partir do modo de produção capitalista (incluindo os que estavam sob o domínio do nazismo, do fascismo e do stalinismo), o planejamento da produção estava prestes a cair sob o controle operário; assim, os mais generosos ou corajosos militantes revolucionários, na mais trágica hipótese, seriam mártires em busca de sua própria morte. Desanimada com as atrocidades que havia visto seu próprio lado cometer, Simone reafirmou seu pacifismo. Ela escreveu "embora vivamos entre realidades mutáveis, diversas e determinadas pelo jogo volúvel de necessidades externas, agimos, lutamos, sacrificamos a nós e a outros em nome de abstrações cristalizadas, isoladas" (como nação, capitalismo, comunismo e fascismo).

Simone Weil entregou-se quase que casualmente ao cristianismo, através de uma antiquada experiência mística – no momento em que, atormentada por uma implacável enxaqueca e recitando um poema de George Herbert, ouvia um canto gregoriano na Abadia de Solesmes.
Weil havia experimentado a “união mística”, e jamais abandonaria depois disso o abraço da Graça. Porém, , recusou até o fim todas as facilidades e respostas fáceis providas pelo cristianismo institucional. Simone Weil, que amava contradições e paradoxos e os mitos de todas as culturas, permaneceria até o fim uma "secular" (como chamam os crentes).
Mais até mesmo do que o Antifascista Dietrich Bonhoeffer, Weil parece ter compreendido o tremendo distanciamento e alienação que uma era pós-religiosa exigiria de um louco que ousasse neste mundo louco perseguir a loucura de seguir a Graça. Um verdadeiro libertário mesmo que "cristão" , propuseram Weil e Bonhoeffer em vidas e vocabulários distintos, teria abrir mão do conforto de todos os rótulos, até mesmo do que lhe seria mais caro, o do próprio cristianismo.
Em seu prefácio a Waiting for God, Leslie A. Fiedler explica assim essa terrível posição:
Associar-se ao contexto de uma religião particular, sentia ela, teria por um lado exposto Weil ao que ela chamava de “patriotismo eclesiástico”, com a conseqüente cegueira para as falhas do seu próprio grupo e as virtudes dos outros; por outro, teria separado Weil da condição dos seres comuns aqui embaixo, que permanecemos todos “alienados, sem raízes, em exílio”. O mais terrível dos crimes é colaborar com o desenraizamento de outras pessoas num mundo já por si mesmo alienado; porém a maior das virtudes é desenraizar-se por amor ao próximo e a Deus. “É necessário desenraizar-se,” escreve Weil. “Corte a árvore, faça dela uma cruz e carregue-a para sempre”.
Nietzsche dizia que os cristãos de hoje, depois de dois mil anos de conforto, haviam se tornado incapazes de apreender o tremendo paradoxo que tinha sido, nos primeiros séculos da nossa era, conceber algo como “Deus na cruz” (talvez tenha sido por compaixão a essa gente que Nietzsche recriou o paradoxo com o seu conhecido “Deus morreu” – e ele acrescenta, desnecessariamente, com uma devoção de beata: “nós o matamos”).
Ler Simone Weil é deparar-se com os paradoxos do cristianismo em linguagem horrivelmente lúcida, sem maneirismos e sem disfarces. Nietzsche fingia crer que a moral cristã é impensável; Weil corrige essa generosidade, e esclarece que tudo no cristianismo é rigorosamente impensável e terrível e vertiginoso e paradoxal.
“PRECISÁVAMOS DA ENCARNAÇÃO PARA IMPEDIR QUE ESSA SUPERIORIDADE SE TORNASSE UM ESCÂNDALO”.
Um único exemplo deverá por enquanto bastar para emblemar o que quero dizer. Weil anota: “O sofrimento é superioridade do homem em relação Deus. Precisávamos da Encarnação para impedir que essa superioridade se tornasse um escândalo”.
O sofrimento é superioridade do homem em relação a Deus.
Weil cria (com os místicos medievais judeus, que talvez nunca tenha lido) que para dar espaço para o universo que tencionava criar Deus se recolhera, se diminuíra, retirara-se do universo para que o universo pudesse existir. As implicações dessa iniciativa eram, como em tudo que Deus coloca a mão, terríveis e impensáveis. Os paradoxos! Se Deus se recolheu, a soma de Deus mais o universo mais todas as suas criaturas é ainda menor do que Deus. Se o sofrimento é superioridade do homem em relação a Deus, somos deuses a quem Deus concedeu (paradoxalmente) um privilégio que ele mesmo nunca conheceu – ou não conhecera em plenitude – antes de Jesus. Semelhantemente, ele nos convida a que sejamos pequenos deuses que o imitem naquilo que ele, Deus, recusou-se a fazer: apegar-se à superioridade da sua condição.
Mais do que isso: apenas a renúncia, o altruísmo, a abstenção, são neste mundo atos verdadeiramente criativos – em que espelham o retraimento, o desenraizamento criativo de Deus. Nossa obsessão com a auto-afirmação, justamente ao contrário do que parecia sugerir Nietzsche, é que é essencialmente redundante e niilista.
Simone Weil, que teve poucos amigos, anotou certa vez no seu diário: “nunca busque a amizade… nunca se permita sequer sonhar com a amizade… a amizade é um milagre!” De fato é um  milagre. uma graça porque é algo imerecido, ninguém a merece e é completamente contra qualquer instinto de auto-preservação, mas contra toda a logica ela existe e nós ajuda vivermos bem.
Weil concluiu que duas grandes forças forças governavam o Universo: a gravidade e a graça. A gravidade leva um corpo a atrair outros corpos, de modo que aumenta continuamente, absorvendo mais e mais do Universo em si mesmo. Alguma coisa igual a essa mesma força opera nos seres humanos. Nós também queremos nos expandir, adquirir, inchar significativamente.  O desejo de "sermos como deuses", afinal, levou a humanidade a matar-se uns aos outros. Emocionalmente, Weil conclui: nós, humanos, operamos por meio de leis tão fixas quanto a lei de Newton. "Todos os movimentos naturais são controlados por leis análogas às da gravidade física. A graça é a unica exceção." Muitos de nós continuamos presos pelo campo gravitacional do amor-próprio e, assim, "tapamos as fissuras pelas quais a graça poderia passar".

Mais ou menos na época em que Weil estava escrevendo, outro refugiado dos nazistas, Karl Barth, fez o comentário  de que o dom do perdão, da graça, era para ele o mais surpreendente dos seus milagres. Os milagres quebraram as leis das físicas do Universo; o perdão rompeu as regras morais nos mostrando que somos livres. "O inicio do bem é percebido no meio do mal.... A simplicidade e a abrangência  da graça - quem as medirá?" Aquele que foi tocado pela graça não vai mais olhar para quem  se desviou como "aquela gente ruim" ou "aquela pobre gente que precisa de nossa ajuda". Nem devemos procurar sinais de "merecimento de amor". Categorias de merecimento não valem nada. Em sua autobiografia, o filósofo alemão Friedrich Nietsche falou  de sua capacidade de "sentir o cheiro" das partes mais ocultas de cada alma, especialmente a "abundante sujeira escondida no fundo do caráter".  Nietzsche foi um mestre da ausência da graça. Nós somos chamados para fazer o oposto, para sentir o cheiro dos resíduos do valor oculto.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O estético, a servidão e o moralismo

O existencialismo de Kierkgaard se pauta na critica de três formas de servidão voluntárias e as coerções consequentes desses aprisionamentos também. são elas o estético, o social e o religioso. Tendo ele até o final da vida se liberto das 3 em certa medida e depois descobrindo que mesmo após acreditar se libertar das 3 enquanto vivemos em sociedade as 3 continuam constantemente a te arrastar de volta para elas. Duas delas se manifestam através do moralismo, são elas o social e o religioso, na maioria das vezes também estão carregados de um legalismo ferrenho embora não necessariamente (é possível ser moralista e não ser legalista).
Porém não vou tratar delas e sim da terceira, o estético. O estético se constitui em muitas vezes forma de se entregar a todos os seus desejos e muitas vezes se tornando escravos deles. Por exemplo qual seria o problema em beber? Nenhum, mas a partir do momento que beber é a unica forma que você tem de ser alguém ou interagir socialmente, você se tornou servo da bebida. Porem e algo tão sutil que você voluntariamente opta por esse caminho. Isso pode se aplicar a outras drogas, se a unica forma que você tem de enfrentar a vida é através delas, você está servo das drogas. O complicado é que como você pode combater essa forma de escravidão sem cair no moralismo. Como moralismo? Ora se livrar criando um simples código moral. O problema no meu exemplo não está no álcool, e sim a forma alienante como se usa ele, a forma escapista ou até no modo de incorporar ele a sua personalidade como uma coisa essencial. O cigarro por exemplo em nossa cultura é usado como forma de relaxar e amenizar os problemas, ora é obvio que nessa forma de usar o cigarro ele se torna um muito mais facilmente um vicio, toda vez que ressurgirem os problemas você vai basculo. Porem o uso moderado tanto do álcool quanto do tabaco é possível. Na cultura europeia por exemplo charutos são culturais, cachimbos, existem pessoas que fumam socialmente, posso citar um exemplo famoso até muito criticado pelos moralistas religioso, o escritor cristão CS. Lewis. embora nada em sua obra aponte pra nenhuma forma de libertinagem, ele foi constantemente acusado de herege  libertino pelos crentes puritanos simplesmente por beber e fumar socialmente. A questão é como encontrar o equilíbrio ou a moderação? Simples, se você não consegue parar de beber ou fumar  por qualquer motivo que seja, já e um vicio logo você já é escravo. Se você busca essa alternativa exclusivamente com objetivo de se embriagar, esquecer os problemas ou como motivador para tomar atitudes que você não tomaria, você já deu o primeiro passo para que isso se torne uma muleta. Existem pessoas que simplesmente não usam mas não tratam a questão de forma moralista, se essas pessoas não se considera superior por isso e nem condena a todos que usem impondo sua escolha individual, ótimo. Do contrario falta entendimento de que nem sempre a droga em si é necessariamente uma muleta. Infelizmente não digo isso de todas, existem drogas mais pesadas que não recomendo a ninguém, droga que te escravizam quimicamente com pouco tempo de uso. Essas eu me oponho ferrenhamente, mas também entenda se opor não é impor. Se você tem um amigo que reproduz toda a logica do sistema de amor ao trabalho e etc e é escravo disso você apontando o dedo na cara da pessoa de modo algum vai ajuda-lo. Agora conversar e dizer como tudo isso te escraviza, sim ajuda, ou como a pessoa está escrava disso, uma vez que nem todos que trabalham absorveram todo esse conceito trabalhista impregnado no moralismo social atual. A via legalista já de proibir o uso de qualquer droga é muito pior pois trata-se de responder uma forma de possível servidão voluntária com um autoritarismo aberto. A droga foi um exemplo, existem muitas outras formas de servidão através do aspecto estético, muitos vícios. Toda a questão que poderia  simplificar seria até quando um habito não é escapismo e você não depende dele pra viver? Se você não puder evitar que tais hábitos  te tornem seu servos não se aproxime, usemos nossa liberdade para nos mantermos livres.
Um drink em homenagem a  liberdade.


quinta-feira, 29 de março de 2012

Os Anabatistas e o Existencialismo

Os anabatistas são grande referencia de exemplo de como podemos avaliar para se começar uma experiencia de socialismo não estatal. De fato ao ser um movimento que ainda no tempo da Reforrma se levantou a negar a autoridade do estado e das hierarquias religiosas serviram já de grande inspiração para o criador do anarquismo como teoria politica Williiam Godwin como ele mesmo aponta. Os anabatistas então são uma grande referencia histórica de resistencia contra opressão tendo sido elogiada até por defensores do estado como Marx. Mas gostária de estender aqui que os anabatistas como revolta camponesa alem de serem referencias para experiencias socialistas se enquandrando como um anarquismo real infelizmente dizimado pelas forças opositoras da epoca, também compartilhavam dos mesmos pontos do que mais tarde viria a ser chamado na filosofia como existencialismo.
O existencialismo tendo sua origem como pensamento filosofico têm sua base em Kierkgaard que ao negar estetico, social e religioso propôem o esvaziamento da pessoa de seus moralismos possibilitando uma nova forma de se religar ao que seria a raiz de sua existencia.
Surpreendentemente, os anabatistas através de Münzer expressam esta mesma idéia "Quando percebemos a finidade humana, desgostamo-nos com a totalidade do mundo. E nos tornamos pobres de espírito. O homem é tomado pela ansiedade de sua existência de criatura e descobre que a coragem é impossível. Nesse momento ele deixa de resistir ao que se manifesta e ele é
transformado.” Igualmente como no existencialismo na experiencia anabatista a individualidade de cada um é resaltada uma vez que reforçam a idéia de que antes de uma salvação coletiva a salvação deve ser individual. Ao enfatizar a liberdade e individualidade de cada um em oposição a todas as formas de moralismos e aprisionamentos na mente, propondo assim um nascer de novo da mesma que ainda assim nos manteria nessa luta constante pela construção de um reino de liberdade, mostra que já no movimento anabatista continha dessa forma toda a base do pensamento existencialista.

Outras Fontes:
http://www.viapolitica.com.br/artigo_view.php?id_artigo=79

quinta-feira, 22 de março de 2012

Socialismo nasceu sem estado

Muitos advogam hoje sobre a impossibilidade do socialismo sem um estado ou algum outro centralismo. Outros só conseguem definir o socialismo como sistema estatal. E muitos ainda defendem o que o método de transição através do estado é o único aceitável porque seria o único "científico". Mas estudando a origem do socialismo em si vemos que o mesmo não se baseou em experiencias estatais. Pois bem, anterior a própria expressão "socialismo" temos a experiencia dos anabatistas. Em 1525 os Anabatistas foram um dos grupos a tentar experiencias para se acabar com as hierarquias de um meio. Advindos do tempo da reforma protestante, enquanto todas os grupos da época absorviam e reproduziam o capitalismo ou os moldes do que estaria se tornando o que mais tarde viria a ser chamado de capitalismo. Eles ao se inspirarem na experiencia descrita em atos dos apóstolos resolveram voluntariamente abolir as posses privadas entre eles tornando a maior parte dos bens como coletivos. Diria então um teórico moderno que necessitaria então de um órgão central planejador? Nada disso, era tudo voluntario, na base do voluntarismo e as pessoas se agregavam porque tinham vontade. Outra característica interessante  dessa experiencia pré-socialista é que eles negavam toda a autoridade, seja eclesial, seja dos reis e príncipes, seja do clero ou da nobreza. Não a toa era formada em sua maior parte pelos camponeses. Essa entre muitas outras experiencias posteriores deram origem a noção do que mais tarde seria chamado de socialismo e grande parte relegado hoje como utópico (a maioria das vezes até mesmo por rejeitar a ideia de estado ou outro órgão central)
Muitos responderiam então se essa forma de socialismo dá tão certo porque não existe até hoje? Simplesmente porque os católicos e protestantes assim como também os reis da época se sentindo ameaçados por esse sistema que subvertia a ordem negando o acumulo de riquezas e a obediência as autoridades os massacraram e dizimaram militarmente. Assim não se teve nenhum colapso nem divergência interna que levou ao fim do grupo e sim uma intrusão externa violenta de forma esmagadora.


Se temos que desconsiderar alguma forma de socialismo é justamente a estatal que ao recorrer ao estado acaba mesmo que involuntariamente impondo uma hierarquia e submissão, princípios totalmente opostos a qualquer ideia mais primaria do próprio socialismo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

O Estado como um deus

Bem já diziam alguns filósofos que Deus morreu. Mas não qualquer deus, sim o deus usado como muleta. Antigamente se o povo padecia de alguma doença a culpa era de Deus e se não havia tratamento também. Se queríamos resolver o problema da miséria, da pobreza e da desigualdade tínhamos que pedir  a ajuda de um deus, sentar e esperar. Esse conceito de Deus foi usado também para justificar o acumulo de riquezas, afinal pras pessoas daquele tempo se haviam ricos e pobres é pq Deus quis assim e esse é o certo. Assim o deus de tais crenças não era simplesmente um criador ou um amigo nem nada disso e sim um manipulador da vida que deixava as pessoas presas a sua vontade. Não foi meu objetivo aqui atacar todos que acreditam num deus uma vês que sei que nem todos acreditam em Deus acreditam nesse deus, assim como sei que existem pessoas que acreditam num que dá liberdade a humanidade e as deixa com suas consequências. Mas é fato que esse foi um pensamento predominante por muito tempo que ajudou a Igreja institucional de certa maneira a escravizar o povo, uma vez que ela era pra maioria das pessoas da época a soberana representante de Deus na terra e punia quem ousasse desobedece la. A igreja representava então um poder controlador do povo. Precisamente hoje é o Estado que representa esse poder, o Estado é o novo deusmuleta. Todos tem que obedecer tudo o que o Estado impõe do contrario serão punidos, temos que pagar tributos e "ofertas" ao estado. E pra acabar com o problema da miséria? Da pobreza? da saúde? Pelo senso comum devemos recorrer ao estado, se existem ricos e pobres? Uns justificam que é o natural das coisas afinal é o justo perante a lei do estado, outros recorrem dizendo que o estado que deve solucionar esse problema. O estado no diz o que devemos fazer e se o desobedecemos? Ah, se diz que merecemos nossa sentença, afinal o Estado sabe tudo né? Ou todas as soluções estão nele, aos poucos e cada vez mais o Estado vai se tornando uma especie de Deus moderno, que sabe tudo, pode resolver tudo, é onipotente, onisciente e nosso guardião. Só que tal qual a Igreja institucional que dominou em grande parte do passado, o estado é formado por homens que não sabem de tudo da via de todos (alguém pode saber?), não pode resolver todos esses problemas (alem de causar a maior parte deles), não está apto a criar leis  especificas para organização social de cada individuo e muito menos deve nos obrigar a obedece-lo. Os idealistas românticos alemães que, no começo do século XIX, glorificaram o estado como "Deus na história" também parecem ter a sua dívida para com a filosofia do Contrato social. Das doutrinas rousseaunia-nas da onipotência legal do estado e de que a verdadeira liberdade consiste na submissão à vontade geral não era difícil passar à exaltação do Estado como um objeto de culto e à redução do indivíduo ao papel de um simples dente na engrenagem política. Embora Rousseau tivesse sugerido que a maioria ficaria submetida a restrições morais e insistido no direito do povo a "derrubar" o governo, isso não bastava para contrabalancear os efeitos da importância conferida à soberania absoluta. Temos assim um Estado que se coloca como Deus e tenta moldar a nossa mente a força, como eu já disse certa vez qualquer Deus que não me queira livre e não respeite minha liberdade mas age apenas de imposições e barganhas é meu inimigo. o Estado igualmente e pelos mesmos motivos é meu inimigo.
Snow Pantra Queer

sexta-feira, 9 de março de 2012

Capitalismo como religião


Quero aqui tratar um  outro aspecto do capitalismo. O capitalismo como religião. Para justificar meus pontos recorro principalmente aos textos do sociologo Walter Benjamim que aponta como o capitalismo de certa forma é ou se tornou religião e é uma religião puramente cultural. Uma caracteristica que ele aponta por exemplo é seu culto, o capitalismo não é uma religião expiatoria apesar de conter toda uma ritualistica, pelo mesmo motivo não vêm a ser uma religião no conceito de conter dogmas. Ao contrario o capitalismo se concentra na culpa, a culpa é o que move o capitalismo, dessa forma e a culpa assim assumida não se objetiva por querer expiar nada mas sim sacralizar essa culpa. O capitalismo tanbem como religião mantêm seu culto constante uma vez que nessa religião não há dias sagrados, todos os dias o são para o motor do mesmo. O objéto de culto do capitalismo tanbem assim com um Deus deve se manter oculto, mas é reproduzido a cada papel moeda de cada nação como seu represantante. O papel moeda emitido por cada estado então seria a representação do que é o simbolo maximo do culto capitalista. As proprias religiões do tempo da reforma não favoreceram o surgimento do capitalismo como aponta Weber mas sim foram absorvidas pelo culto capitalista, construiram toda sua teologia de modo a justifica-lo. A ritualistica do capitalismo se concentra então no trabalho para receber o objeto de culto e na acumulação do mesmo para o enriquecimento (salvação inalcanssavel uma vez que nunca se tem dinheiro suficiente) ou no proprio gastar do mesmo que viria satisfazer momentaneamente nossa culpa nos possibilitando de certa forma resistir a pressão. A vida então concentrada no consumo ou na acumulação de riquezas passa então a se tornar o principal no constuir da cosnciencia de muitos. Isso tudo então nós faz querer reforçar a dignidade do trabalho tanbem como meio de sacraliza-lo. Todos esse elementos assim constituiriam a sintese da religião capitalista, o culto, o trabalho, o consumo e/ou acumulo das riquezas. Qualquer um que fuja então da sacralização de tal ritual é tachado louco/comunista/preguiçoso/irresponsavel e assim para tais religiosos merece sua condenação.
Snow Pantra Queer



algumas fontes: http://questionandoodireito.blogspot.com/2011/11/capitalismo-como-religiao.html

sexta-feira, 2 de março de 2012

Religião, uma forma de controle


Muitos teistas religiosos vêm a se opor aos anarquistas e/ou aos existencialistas por acreditarem que todos nós somos contra qualquer pessoa que acredite em qualquer conceito de Deus. Sem duvida aos que acreditam em um Deus opressor que se relaciona com as pessoas como donos de escravos ou como lider maximo e não como uma amigo proximo ou um ser distante irei combater vêementemente tal ideia. Qualquer Deus que venha a nos impor qualquer regra consequentemente vai contra minha liberdade é meu inimigo. Porem é bem verdade que a crença em um Deus não precisa necessariamente carregar essas caracteristicas como os proprios fudadores de tais pensamentos libertários expressaram.
Porem é fato que todos os existencialistas ou anarquistas que eram a abertos a crença em Deus eram contra as religiões. Porque? Pois entendam, o siginificado de "Religião" vêm de religar que significa se ligar de novo a Deus. A religião então seria um conjunto de regras, preceitos ou morais que te ligariam de volta a Deus. Assim as igrejas cristãs institucionais de hoje por exemplo pregam que podemos nos religar a Deus com dizimos ou outras sacrificios materiais, a igreja medieval pregava a salvação claramente por meio de obras, algumas vertences do budismo pregam o caminho pra iluminação através de uma purificação interior atravês do isolamento. Enfim a caracteristica da religião é então impor alguma coisa (algum sacrificio, algum caminho que você tenha que percorrer, algo a ser conquistado) para te religar a Deus. Se você não fizer o que foi pré-determiniado pelos fundadores dessa religião sua comunhão com esse Deus é negada. Essa é uma forma de dominação bem sutil, através desse mecanismo se cria toda uma rede de moralismos que dominaram a mente de tais religiosos. É abertamente uma maneira de fazer com que as pessoas façam o que você quer ou sigam a moral que vocês desejam. Mas isso não por um impulsso voluntario ou individual, mas por uma obrigação, uma troca na qual você barganha ou com um Deus tirano que te obriga a fazer as vontades dele ou um Deus capitalista mercantil que impôem valores. E mesmo as religiões descrentes em Deus mas que tanbem impoem obras, morais ou caminhos para se alcanssar uma iluminação ou salvação são igualmente opressoras. O proprio deismo quando reduzido a um moralismo como por exemplo no caso de Tolstoi (não me entendam mal, no campo da politica Tolstoi foi um cara fantastico, mas no sentido filosofico não passava de um moralista) se torna uma forma de dominação. Você passa a fazer as coisas não porque vêm da sua voluntariedade ou pq acha preciso mas pelo conjunto de valores que lhe foram impostos a serem seguidos.
Assim vejo problema na Religião sim que deve ser combatida, por mais que seu Deus seja humanista ou biocentrico. Se ele te impoem qualquer condição pra se ligar a ele não é um Deus libertário que te respeite como individuo. Assim faço apelo aos teistas que antes de julgar a nós anticlericais simplesmente como um repudiadores gratuitos de suas crenças, examinem vocês mesmos suas consciências para verem se o seu Deus é mesmo tão libertador como pregam. Se como o Deus que os primeiros socialistas e anarquistas acreiditavam não impoem nenhuma condição para se salvar e se aproximar dele e igualmente respeita aqueles que o rejeitam não os obrigando a se religar com ele tanbem não há motivo algum para expressar isso como uma religião, do contrario acredito infelizmente que você é mais um gado util a ser manipulado pelos interresses de terceiros.
Snow Pantra Queer

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O problema do Moralismo

O anarquismo é a entre outras coisas a defesa da liberdade em contraste com a opressão do Estado. Acredito que como libertários a luta pelo desligamento em relação ao estado é essencial, mas mantenho a crença de que não é somente o estado que destroi minha liberdade.  A sociedade de forma geral tem um poder coercitivo tremendo de criar varias morais escravizantes. No nosso objetivo por libertação acamos por nós mesmos em combate a moral estabelecida acabando por criarmos nós mesmos um moralismo que nos guie. Vou usar um exemplo comparativo aqui com dois autores aos quais já citei em outros textos.
Kierkgaard e Tolstoi
Ambos se basearam nas experiencias cristsianismo primitivo para negar o estado, ambos foram contra a moral vigente e ambos então negaram qualquer forma de poder e imposição por força, ainda assim são considerados filosofos com linhas bem diferentes e inspirado comumente grupos totalmente diferentes.
Tolstoi em negação ao estado, as autoridades e as hierarquias propoem a criação de uma moral deista na qual todo aquele que fugisse a sua proposta estava em erro. Assim ele acaba por resumir a luta pela liberdade num moralismo ferrenho, fazendo sermões aos quais ele mesmo em sua condição humana não conseguia seguir. Ao acompanhar suas obras politico-filosoficas é possivel ver em Tolstoi uma luta por uma possivel santificação do homen atravês das obras, uma santificação através das obras que levariam a criação de um ser humano mais libertário, amoroso e irmão. Alem de não conseguir cumprir tal objetivo a si mesmo como ele mesmo diagnosticou em varios relatos de certa forma ele mesmo acabou se predendo a essa mortal trocando sua propria liberdade por um conjunto de preceitos. O proprio estudo da praxeologia (estudo da ação humana) vêm de certa maneira a demonstrar a impossibilidadde humana de se seguir regras quando se impostas como um fardo.
Por outro lado observando a obra de Kierkgaard vemos na luta pela liberdade a luta tanbem por libertação da propria moral. Kierkgaard entendia que embora existe em sua opinião atitudes certas e erradas (ou coisas escravizantes e libertadoras), a impossibilidade de traduzir isso tudo numa moral. Ao contrario que o proprio moralismo em si fazia parte dessas atitudes escravizantes. Assim Kierkgaard vêm a propor como caminho para se obter a libertação a negação de qualquer moralismo e sendo o estado, a religião institucionalizada e a propria sociedade principais propagadoras desse moralismo, o desligamento de qualquer forma de institucionalide ou o combate a qualquer forma de institucionalidade e do sistema que representa essa institucionalidade. Colocando a luta contra o moralismo como um dos principais meios para se alcansar a liberdade, Kierkgaard conseguiu se libertar até apegos que a moral tolstoiana combatia mas o propio Tolstoi não conseguiu alcanssar. Enquanto não aceitarmos a nossa propria imperfeição  humana que nos torna incapazes de seguir muitas vezes muitos dos nosso proprios principios e priorizarmos  criar uma moral julgadora estaremos eternamente presos a algum sistema, mesmo que não explicitamaente institucional.
Não foi meu objetivo aqui dizer que Kierkgaard é melhor que Tolstoi ou que aqueles que reconhecem  que a luta contra o moralismo são melhores que aqueles que não reconhecem, mas sinalizar um ponto que acredito fundamental quando objetivamos a verdadeira liberdade e até complementar isso aqueles que não refletiram sobre tal ponto de vista.
Snow Pantra Queer