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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Hanna Arendt, Liberdade e perdão

“O amor à sabedoria e o amor à bondade, que se resolvem nas atividades de filosofar e de praticar boas ações, têm em comum o fato de que cessam imeditamente – cancelam-se, por assim dizer – sempre que se presume que o homem pode ser sábio ou ser bom.”

Hannah Arendt, nasceu em 14 de outubro de 1906 foi uma ativista política alemã e judia, uma das mais influentes do século XX. A privação de direitos e perseguição na Alemanha de pessoas de origem judaica a partir de 1933, assim como o seu breve encarceramento nesse mesmo ano, fizeram-na emigrar. O regime nazista retirou a nacionalidade dela em 1937, o que lhe tornou apátrida. Jornalista e professora universitária publicou obras importantes sobre política. Arendt defendia um conceito de "pluralismo" no âmbito político. Graças ao pluralismo, o potencial de uma liberdade e igualdade política seria gerado entre as pessoas. Em acordos políticos, convênios e leis, devem trabalhar em níveis práticos pessoas adequadas e dispostas. Como frutos desses pensamentos, Arendt se situava de forma crítica ante a democracia representativa. Graças ao seu pensamento independente, a teoria do totalitarismo, seus trabalhos sobre filosofia existencialista e sua reivindicação da discussão política livre, Arendt tem um papel central nos debates contemporâneos.
Nos círculos intelectuais de Königsberg nos quais se criou, a educação das meninas era algo que certamente ocorria. Através de seus avós, conheceu o judaísmo reformado porem sempre professou sua fé em Deus de forma livre e não-convencional. Não pertencia a nenhuma comunidade religiosa, mas sempre se considerou judia, inclusive participando do movimento sionista.
Aos 17 anos teve de abandonar a escola por problemas disciplinares, indo então sozinha a Berlim, onde, sem haver concluído sua formação, teve aulas de teologia cristã e estudou pela primeira vez a obra de Søren Kierkegaard. De volta a Königsberg em 1924, foi aprovada no exame de maturidade.
Em 1933 (ano da tomada do poder de Hitler) Arendt foi proibida de escrever uma segunda dissertação que lhe daria o acesso ao ensino nas universidades alemãs por causa da sua condição de judia. O seu crescente envolvimento com o sionismo levá-la-ia a colidir com o anti-semitismo do Terceiro Reich - o que a conduziria, seguramente, à prisão. Conseguiu escapar da Alemanha e passou por Praga e Genebra antes de se mudar para Paris, onde trabalhou pelos 6 anos seguintes com crianças judias expatriadas. Foi presa (uma segunda vez) na França conjuntamente com o marido, e acabaria em 1941 por partir para os Estados Unidos, com a ajuda do jornalista americano Varian Fry.
O trabalho de Hannah Arendt abarca temas como a política, a autoridade, o totalitarismo, a educação, a condição laboral, a violência, e a condição de mulher.


O primeiro livro "As origens do totalitarismo" (1951) consolida o seu prestígio como uma das figuras maiores do pensamento político ocidental. Arendt assemelha de forma polémica o nazismo e o comunismo, como ideologias totalitárias, isto é, com uma explicação compreensiva da sociedade mas também da vida individual, e mostra como a via totalitária depende da banalização do terror, da manipulação das massas, do acriticismo face à mensagem do poder. Hitler e Stalin seriam duas faces da mesma moeda tendo alcançado o poder por terem explorado a solidão organizada das massas.
Sete anos depois publica "A condição humana", obra onde enfatiza a importância da política como ação e como processo, dirigida à conquista da liberdade:
Com a expressão 'vita activa', pretendo designar três actividades humanas fundamentais: labor, trabalho e ação. (...) O labor é a actividade que corresponde ao processo biológico do corpo humano (...). A condição humana do labor é a própria vida. O trabalho é a actividade correspondente ao artificialismo da existência humana (...). O trabalho produz um mundo "artificial" de coisas, nitidamente diferente de qualquer ambiente natural. A condição humana do trabalho é a mundanidade. A acção, única actividade que se exerce directamente entre os homens sem a mediação das coisas ou da matéria, corresponde à condição humana da pluralidade, ao facto de que homens, e não o Homem, vivem na Terra e habitam o mundo. Todos os aspectos da condição humana têm alguma relação com a política; mas esta pluralidade é especificamente 'a' condição (...) de toda a vida política. 
Publica depois "Sobre a Revolução" (1963), talvez o seu maior tributo para o pensamento libertário contemporâneo, e examina a revolução francesa e a revolução americana, mostrando o que têm de comum e de diferente.
Ainda, em 1963, escreveria "Eichmann em Jerusalém" a partir da cobertura jornalística que faria do julgamento do exterminador dos judeus e arquitecto da Solução Final para a The New Yorker. Nesse livro impressionante revela que o grande exterminador dos judeus não era um demônio e um poço de maldade (como o criam os activistas judeus) mas alguëm terrível e horrivelmente normal. Um típico burocrata que se limitara a cumprir ordens, com zelo, sem capacidade de separar o bem do mal, ou de ter mesmo contrição. Esta perspectiva valer-lhe-ia a crítica virulenta das organizações judaicas que a considerariam falsa e abjurariam a insinuação da cumplicidade dos próprios judeus na prática dos crimes de extermínio. Arendt apontara, apenas, para a complexidade da natureza humana, para uma certa "Banalidade do Mal" que surge quando se compadece com o sofrimento, a tortura e a própria prática do mal. Daí conclui que é fundamental manter uma permanente vigilância para garantir a defesa e preservação da liberdade.
Hannah concluiu que ele dizia a verdade: não se tratava de um malvado ou de um paranóico, mas de um homem comum, incapaz de pensar por si próprio, como a maior parte das pessoas.


Hanna Arendt nos traz uma das melhores interpretações sobre o elo entre liberdade e amor. Sua narrativa é boa à medida que toma como ponto de partida a novidade moral – com uma enorme conseqüência para a política secular – introduzida pelo cristianismo, ou seja, o perdão. Arendt não titubeia em lembrar que foi Jesus Cristo o inventor do perdão.Diz Arendt que foram os romanos, e não os gregos, que lançaram a idéia de comutar penas, em especial a pena de morte. A idéia de governar povos conquistados, a partir de províncias, obrigou os romanos a introduzir formas de amenização de penas. Todavia, foi só com o Evangelho de Jesus que surgiu a idéia do perdão. Arendt lembra que Jesus radicalizou a noção de perdão, e que os autores do Novo Testamento o colocaram como quem ensinou que o homem não imita Deus quanto ao perdão e, sim, que é o homem o autor do perdão, liberando então Deus para, então, também perdoar – ao menos nas faltas cotidianas, que não implicam a morte e os grandes males (estas poderão ser perdoadas por Deus, no Juízo Final). “Pai, perdoai as nossas faltas assim como eu tenho perdoado (as faltas do outro, meu semelhante)”. Essa frase, que está na oração transmitida por Jesus, o chamado “Pai Nosso”, associado a várias outras passagens bíblicas, dão a Arendt o que ela precisa para mostrar que o perdão é um ato humano. Não podia deixar de ser. Pois é por aí que se imiscui a liberdade.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O estético, a servidão e o moralismo

O existencialismo de Kierkgaard se pauta na critica de três formas de servidão voluntárias e as coerções consequentes desses aprisionamentos também. são elas o estético, o social e o religioso. Tendo ele até o final da vida se liberto das 3 em certa medida e depois descobrindo que mesmo após acreditar se libertar das 3 enquanto vivemos em sociedade as 3 continuam constantemente a te arrastar de volta para elas. Duas delas se manifestam através do moralismo, são elas o social e o religioso, na maioria das vezes também estão carregados de um legalismo ferrenho embora não necessariamente (é possível ser moralista e não ser legalista).
Porém não vou tratar delas e sim da terceira, o estético. O estético se constitui em muitas vezes forma de se entregar a todos os seus desejos e muitas vezes se tornando escravos deles. Por exemplo qual seria o problema em beber? Nenhum, mas a partir do momento que beber é a unica forma que você tem de ser alguém ou interagir socialmente, você se tornou servo da bebida. Porem e algo tão sutil que você voluntariamente opta por esse caminho. Isso pode se aplicar a outras drogas, se a unica forma que você tem de enfrentar a vida é através delas, você está servo das drogas. O complicado é que como você pode combater essa forma de escravidão sem cair no moralismo. Como moralismo? Ora se livrar criando um simples código moral. O problema no meu exemplo não está no álcool, e sim a forma alienante como se usa ele, a forma escapista ou até no modo de incorporar ele a sua personalidade como uma coisa essencial. O cigarro por exemplo em nossa cultura é usado como forma de relaxar e amenizar os problemas, ora é obvio que nessa forma de usar o cigarro ele se torna um muito mais facilmente um vicio, toda vez que ressurgirem os problemas você vai basculo. Porem o uso moderado tanto do álcool quanto do tabaco é possível. Na cultura europeia por exemplo charutos são culturais, cachimbos, existem pessoas que fumam socialmente, posso citar um exemplo famoso até muito criticado pelos moralistas religioso, o escritor cristão CS. Lewis. embora nada em sua obra aponte pra nenhuma forma de libertinagem, ele foi constantemente acusado de herege  libertino pelos crentes puritanos simplesmente por beber e fumar socialmente. A questão é como encontrar o equilíbrio ou a moderação? Simples, se você não consegue parar de beber ou fumar  por qualquer motivo que seja, já e um vicio logo você já é escravo. Se você busca essa alternativa exclusivamente com objetivo de se embriagar, esquecer os problemas ou como motivador para tomar atitudes que você não tomaria, você já deu o primeiro passo para que isso se torne uma muleta. Existem pessoas que simplesmente não usam mas não tratam a questão de forma moralista, se essas pessoas não se considera superior por isso e nem condena a todos que usem impondo sua escolha individual, ótimo. Do contrario falta entendimento de que nem sempre a droga em si é necessariamente uma muleta. Infelizmente não digo isso de todas, existem drogas mais pesadas que não recomendo a ninguém, droga que te escravizam quimicamente com pouco tempo de uso. Essas eu me oponho ferrenhamente, mas também entenda se opor não é impor. Se você tem um amigo que reproduz toda a logica do sistema de amor ao trabalho e etc e é escravo disso você apontando o dedo na cara da pessoa de modo algum vai ajuda-lo. Agora conversar e dizer como tudo isso te escraviza, sim ajuda, ou como a pessoa está escrava disso, uma vez que nem todos que trabalham absorveram todo esse conceito trabalhista impregnado no moralismo social atual. A via legalista já de proibir o uso de qualquer droga é muito pior pois trata-se de responder uma forma de possível servidão voluntária com um autoritarismo aberto. A droga foi um exemplo, existem muitas outras formas de servidão através do aspecto estético, muitos vícios. Toda a questão que poderia  simplificar seria até quando um habito não é escapismo e você não depende dele pra viver? Se você não puder evitar que tais hábitos  te tornem seu servos não se aproxime, usemos nossa liberdade para nos mantermos livres.
Um drink em homenagem a  liberdade.


quinta-feira, 29 de março de 2012

Os Anabatistas e o Existencialismo

Os anabatistas são grande referencia de exemplo de como podemos avaliar para se começar uma experiencia de socialismo não estatal. De fato ao ser um movimento que ainda no tempo da Reforrma se levantou a negar a autoridade do estado e das hierarquias religiosas serviram já de grande inspiração para o criador do anarquismo como teoria politica Williiam Godwin como ele mesmo aponta. Os anabatistas então são uma grande referencia histórica de resistencia contra opressão tendo sido elogiada até por defensores do estado como Marx. Mas gostária de estender aqui que os anabatistas como revolta camponesa alem de serem referencias para experiencias socialistas se enquandrando como um anarquismo real infelizmente dizimado pelas forças opositoras da epoca, também compartilhavam dos mesmos pontos do que mais tarde viria a ser chamado na filosofia como existencialismo.
O existencialismo tendo sua origem como pensamento filosofico têm sua base em Kierkgaard que ao negar estetico, social e religioso propôem o esvaziamento da pessoa de seus moralismos possibilitando uma nova forma de se religar ao que seria a raiz de sua existencia.
Surpreendentemente, os anabatistas através de Münzer expressam esta mesma idéia "Quando percebemos a finidade humana, desgostamo-nos com a totalidade do mundo. E nos tornamos pobres de espírito. O homem é tomado pela ansiedade de sua existência de criatura e descobre que a coragem é impossível. Nesse momento ele deixa de resistir ao que se manifesta e ele é
transformado.” Igualmente como no existencialismo na experiencia anabatista a individualidade de cada um é resaltada uma vez que reforçam a idéia de que antes de uma salvação coletiva a salvação deve ser individual. Ao enfatizar a liberdade e individualidade de cada um em oposição a todas as formas de moralismos e aprisionamentos na mente, propondo assim um nascer de novo da mesma que ainda assim nos manteria nessa luta constante pela construção de um reino de liberdade, mostra que já no movimento anabatista continha dessa forma toda a base do pensamento existencialista.

Outras Fontes:
http://www.viapolitica.com.br/artigo_view.php?id_artigo=79

sexta-feira, 2 de março de 2012

Religião, uma forma de controle


Muitos teistas religiosos vêm a se opor aos anarquistas e/ou aos existencialistas por acreditarem que todos nós somos contra qualquer pessoa que acredite em qualquer conceito de Deus. Sem duvida aos que acreditam em um Deus opressor que se relaciona com as pessoas como donos de escravos ou como lider maximo e não como uma amigo proximo ou um ser distante irei combater vêementemente tal ideia. Qualquer Deus que venha a nos impor qualquer regra consequentemente vai contra minha liberdade é meu inimigo. Porem é bem verdade que a crença em um Deus não precisa necessariamente carregar essas caracteristicas como os proprios fudadores de tais pensamentos libertários expressaram.
Porem é fato que todos os existencialistas ou anarquistas que eram a abertos a crença em Deus eram contra as religiões. Porque? Pois entendam, o siginificado de "Religião" vêm de religar que significa se ligar de novo a Deus. A religião então seria um conjunto de regras, preceitos ou morais que te ligariam de volta a Deus. Assim as igrejas cristãs institucionais de hoje por exemplo pregam que podemos nos religar a Deus com dizimos ou outras sacrificios materiais, a igreja medieval pregava a salvação claramente por meio de obras, algumas vertences do budismo pregam o caminho pra iluminação através de uma purificação interior atravês do isolamento. Enfim a caracteristica da religião é então impor alguma coisa (algum sacrificio, algum caminho que você tenha que percorrer, algo a ser conquistado) para te religar a Deus. Se você não fizer o que foi pré-determiniado pelos fundadores dessa religião sua comunhão com esse Deus é negada. Essa é uma forma de dominação bem sutil, através desse mecanismo se cria toda uma rede de moralismos que dominaram a mente de tais religiosos. É abertamente uma maneira de fazer com que as pessoas façam o que você quer ou sigam a moral que vocês desejam. Mas isso não por um impulsso voluntario ou individual, mas por uma obrigação, uma troca na qual você barganha ou com um Deus tirano que te obriga a fazer as vontades dele ou um Deus capitalista mercantil que impôem valores. E mesmo as religiões descrentes em Deus mas que tanbem impoem obras, morais ou caminhos para se alcanssar uma iluminação ou salvação são igualmente opressoras. O proprio deismo quando reduzido a um moralismo como por exemplo no caso de Tolstoi (não me entendam mal, no campo da politica Tolstoi foi um cara fantastico, mas no sentido filosofico não passava de um moralista) se torna uma forma de dominação. Você passa a fazer as coisas não porque vêm da sua voluntariedade ou pq acha preciso mas pelo conjunto de valores que lhe foram impostos a serem seguidos.
Assim vejo problema na Religião sim que deve ser combatida, por mais que seu Deus seja humanista ou biocentrico. Se ele te impoem qualquer condição pra se ligar a ele não é um Deus libertário que te respeite como individuo. Assim faço apelo aos teistas que antes de julgar a nós anticlericais simplesmente como um repudiadores gratuitos de suas crenças, examinem vocês mesmos suas consciências para verem se o seu Deus é mesmo tão libertador como pregam. Se como o Deus que os primeiros socialistas e anarquistas acreiditavam não impoem nenhuma condição para se salvar e se aproximar dele e igualmente respeita aqueles que o rejeitam não os obrigando a se religar com ele tanbem não há motivo algum para expressar isso como uma religião, do contrario acredito infelizmente que você é mais um gado util a ser manipulado pelos interresses de terceiros.
Snow Pantra Queer

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Simone de Beauvoir, Existencialismo e Feminismo

Nascida em paris, filha de um advogado e ator que então ainda acreditava fazer parte da aristocracia francesa, sua mãe, provinha de uma família da alta burguesia, porém à beira da ruína.Foi professora de filosofia de 1931 até 1943 em escolas de diferentes localidades francesas. Durante a segunda guerra mundial o racionamento torna a vida em Paris bastante difícil, ainda mais agravada pelo inverno mais rigoroso do século. Simone passa suas tardes refugiada na Bibliothèque Nationale, estudando a fundo Kierkegaard e outros. Em Março de 1941 faz parte da fundação de um grupo sobe o lema Socialisme et Liberté (Socialismo e Liberdade) composto por escritores e intelectuais com a tarefa de reunir e disseminar notícias, buscando apoio para a Resistência. Em 1961 Simone participa da criação de uma Liga para a União Antifascista, que organiza em novembro uma manifestação pela paz na Argélia.
Em janeiro de 1962 o apartamento dela é destruído por uma bomba plástica. A vida de Simone é ameaçada no dia em que aparece seu livro sobre Djamila Boupacha, escrito em parceria com Gisèle Halimi. O duplo testemunho torna mundialmente público o caso de uma argelina que, acusada de atentado, foi seqüestrada, torturada e violentada com uma garrafa quebrada por militares franceses. A paz na Argélia é declarada em março de 1962. Em 1970 Simone cria, juntamente com Michel Leiris uma associação, Les Amis de la Cause du Peuple, e em junho, ela e Sartre vão para as ruas distribuir o jornal. Nesta ocasião a polícia não os incomoda, mas na semana seguinte, quando o fato se repete, os dois são presos com mais 16 pessoas. Na delegacia, apenas o casal é liberado.
Sartre e Beauvoir explicam que haviam distribuído os jornais não para serem presos, mas por que acreditavam na liberdade de imprensa, e pretendiam mostrar a incoerência e covardia do chamado sistema judiciário. Em novembro, Beauvoir se engaja no Mouvement de Libération des Femmes.. Em 1974 cada vez mais ligada ao feminismo, Simone funda, juntamente com outras feministas, a Liga dos Direitos da Mulher.
Simone mantinha um relacionamento com o tanbem filosofo existnecialista Sartre. Em 1957 a saúde de Sartre começa a deteriorar-se. Obstinado, ele trabalha excessivamente, sustentado por grande quantidade de remédios, a esse ritmo frenético soma-se o abuso do álcool. Preocupada, não suportando vê-lo se destruir, Simone começa a assumir o papel de enfermeira e guardiã, esforçando-se para que ele limitasse o uso de intoxicantes, em vão. Com a morte de seu companheiro, em 15 de abril de 1980, Simone vê sua saúde se complicar, com o uso abusivo do álcool e das anfetaminas. Ela falece no dia 14 de abril de 1986, aos 78 anos de idade. Simone morreu em 14 de abril de 1986, um dia antes do aniversário da morte de Sartre, tendo realizado seus dois sonhos de infância: o de se tornar escritora e o de ser uma mulher independente. Mas também sem realizar um de seus maiores desejos desde que conheceu Sartre: o de que seu companheiro de toda a vida não morresse antes dela. Cinco dias depois ela é enterrada no cemitério de Montparnasse, junto ao seu amado Sartre.

Patriarcado, o problema sem nome

No campo das ideias Simone de Beavoir se inspirou principalmente no existencialismo e no feminismo sendo a primeira (até onde vai meu conhecimento) a juntar ambos revolucionando assim o campo de atuação do feminismo e sua visão. Se inspirava principalmente no criador do existencialismo Kierkgaard ao qual leu muito durante o periodo da segunda guerra. Kierkgaard como cristão acreditava que a corrupção inerente ao homem faz com que toda sociedade seja igualmente corrupta e opressora e mesmo quando o individuo tenta se livrar dessa corrupção a moral social arrasta essa pessoa novamente pra baixo fazendo com que o individuo livre trave uma luta eterna contra a moral social corrupta ao seu redor. Já o feminismo foi criado por Mary Wolltonecraft, cuja a fonte de mesma inspiração que Kierkgaard a motivava a lutar por uma sociedade livre e mais igual onde as mulheres e os homems tivessem iguais oportunidades. Não tolerando assim o preonceito, criticando entre outras coisas o casamento institucional que condicionava a mulher a escrava do homem e clamando contra os abusos e violencia que a propria desigualdade causavam.
Um dos meritos da Simone de Beauvoir foi unir as duas correntes criando assim um ponto de vista completamente novo. Do mesmo modo então como a sociedade está carregada de moralismos opresores, igualmente a questão do machismo se enquadra entre essas morais. O sexo masculino compreendia a medida primeira pela qual o mundo inteiro era medido, incluindo as mulheres, sendo elas definidas e julgadas por este padrão. O mundo pertencia aos homens. As mulheres eram o “outro” não essencial. deBeauvoir observa esta iniqüidade do status sexual em todas as áreas da sociedade incluindo a industrial, política, educacional e até mesmo em relação à linguagem. As mulheres foram forçadas pelos homens a se conformar e se moldar àquilo que os homens criaram para seu próprio benefício e prazer. Às mulheres de seus dias não foi permitido ou não foram encorajadas a fazer ou se tornar qualquer outra coisa além do que o feminino eterno ditava. A moral do ideal feminino tornou muitas mulheres infantis e frívolas, quase como crianças, levianas e femininas; passivas; garbosas no mundo da cama e da cozinha, do sexo, dos bebês e da casa. Ela afirma que a única maneira para a mulher encontrar-se a si mesma e conhecer-se a si mesma como uma pessoa seria através da obra criativa executada por si mesma para alem dessa moral. Friedan batizou o dilema das mulheres de “um problema sem nome”. Para se libertar disto, as mulheres precisariam ter controle de suas próprias vidas, definirem-se a si mesmas e ditar o seu próprio destino. No final dos anos 60 a autora feminista Kate Millett usou o termo “patriarcado” para descrever o “problema sem nome” que afligia as mulheres. O termo tem sua origem em duas palavras gregas: pater, significando “pai” e arche, significando “governo”. A palavra patriarcado era entendida como o “governo do pai”, e era usada para descrever o domínio social do macho e a inferioridade e a subserviência da fêmea. As feministas viram o patriarcado como a causa última do descontentamento das mulheres. A palavra patriarcado define o problema que deBeauvoir e Friedan não puderam nomear mas conseguiram identificar. Assim com a união dessas duas correntes de pensamento libertário surge o feminismo moderno, sabendo localizar uma das grandes causas da opressão feminina e assim estendo seu combate para alem da politica, tanbem na cultura e contra o moralismo social.
Snow Pantra
Algumas Fontes: http://www.simonebeauvoir.kit.net/

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O problema do Moralismo

O anarquismo é a entre outras coisas a defesa da liberdade em contraste com a opressão do Estado. Acredito que como libertários a luta pelo desligamento em relação ao estado é essencial, mas mantenho a crença de que não é somente o estado que destroi minha liberdade.  A sociedade de forma geral tem um poder coercitivo tremendo de criar varias morais escravizantes. No nosso objetivo por libertação acamos por nós mesmos em combate a moral estabelecida acabando por criarmos nós mesmos um moralismo que nos guie. Vou usar um exemplo comparativo aqui com dois autores aos quais já citei em outros textos.
Kierkgaard e Tolstoi
Ambos se basearam nas experiencias cristsianismo primitivo para negar o estado, ambos foram contra a moral vigente e ambos então negaram qualquer forma de poder e imposição por força, ainda assim são considerados filosofos com linhas bem diferentes e inspirado comumente grupos totalmente diferentes.
Tolstoi em negação ao estado, as autoridades e as hierarquias propoem a criação de uma moral deista na qual todo aquele que fugisse a sua proposta estava em erro. Assim ele acaba por resumir a luta pela liberdade num moralismo ferrenho, fazendo sermões aos quais ele mesmo em sua condição humana não conseguia seguir. Ao acompanhar suas obras politico-filosoficas é possivel ver em Tolstoi uma luta por uma possivel santificação do homen atravês das obras, uma santificação através das obras que levariam a criação de um ser humano mais libertário, amoroso e irmão. Alem de não conseguir cumprir tal objetivo a si mesmo como ele mesmo diagnosticou em varios relatos de certa forma ele mesmo acabou se predendo a essa mortal trocando sua propria liberdade por um conjunto de preceitos. O proprio estudo da praxeologia (estudo da ação humana) vêm de certa maneira a demonstrar a impossibilidadde humana de se seguir regras quando se impostas como um fardo.
Por outro lado observando a obra de Kierkgaard vemos na luta pela liberdade a luta tanbem por libertação da propria moral. Kierkgaard entendia que embora existe em sua opinião atitudes certas e erradas (ou coisas escravizantes e libertadoras), a impossibilidade de traduzir isso tudo numa moral. Ao contrario que o proprio moralismo em si fazia parte dessas atitudes escravizantes. Assim Kierkgaard vêm a propor como caminho para se obter a libertação a negação de qualquer moralismo e sendo o estado, a religião institucionalizada e a propria sociedade principais propagadoras desse moralismo, o desligamento de qualquer forma de institucionalide ou o combate a qualquer forma de institucionalidade e do sistema que representa essa institucionalidade. Colocando a luta contra o moralismo como um dos principais meios para se alcansar a liberdade, Kierkgaard conseguiu se libertar até apegos que a moral tolstoiana combatia mas o propio Tolstoi não conseguiu alcanssar. Enquanto não aceitarmos a nossa propria imperfeição  humana que nos torna incapazes de seguir muitas vezes muitos dos nosso proprios principios e priorizarmos  criar uma moral julgadora estaremos eternamente presos a algum sistema, mesmo que não explicitamaente institucional.
Não foi meu objetivo aqui dizer que Kierkgaard é melhor que Tolstoi ou que aqueles que reconhecem  que a luta contra o moralismo são melhores que aqueles que não reconhecem, mas sinalizar um ponto que acredito fundamental quando objetivamos a verdadeira liberdade e até complementar isso aqueles que não refletiram sobre tal ponto de vista.
Snow Pantra Queer

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Existencialismo e Anarquismo

Hoje vou falar da relação entre existencialismo e anarquismo, suas diferenças, semelhanças e porque na minha opinião um deve completar o outro.
Vamos começar pelo que seria em si o existencialismo. O existencialismo em si é a corrente filosofica individualista que prega a libertação total do individuo de toda e qualquer moral imposta socialmente. Entre suas teses o existencialismo argumenta como simplificou Sartre que a Existencia precede a essencia, logo ninguem nasce pré determinado a seguir um caminho mas está livre em seu livre arbitrio pra se responsabilizar por suas escolhas ao mesmo tempo em que vai absoverndo as morais impostas socialmente, o existencialismo prega então a libertação dessa moral.
Já o anarquismo como doutrinha politica, prega ao mesmo tempo toda a forma de libertação da propria politica, advogando formas de se libertar dos governos e hierarquias impostas. Porem como ponto central a liberdade, pretende-se respeitar as demais escolhas feitas mesmo a de quem não queira se libertar. Assim o anarquismo prega um mundo de varios mundos onde os proprios anarquistas estarão lutando constantemente por liberdade, seja pacificamente como Tolstoi, seja pela guerrilha de defesa como Jan ziska ou seja atravês do dialogo como Godwin. O anarquismo tanbem se estende na economia a partir de Prudhon como negação total do estado e atravês da praxeologia (estudo da ação humana) por demonstrar a ineficiencia governamental, logo como principal bandeira em prol da liberdade o anarquismo defende o fim do Estado.
Voltando ao existancialismo com a contribuição de Sartre ele foi usado como defesa das bandeiras de esquerda, Porem venho a recorrer a origem do existencialismo pra afirmar ao contrario, o exisntecialismo assim como o anarquismo em si deveria em sua essencia mais pura siginificar a negação de qualquer imposição politica. O existencialismo como conhecemos foi criado incialmente por Kierkgaard, cristão acreditava que o homem em si era corrupto e sua corrupção se extendia em todas as esferas, social, religiosa e governamental. Assim mesmo que o ser humano de alguma forma se religasse a seu estado amoral, as morais impostas pela sociedade constantemente o arrastariam para sua corrupção novamente, sendo assim o homem para manter sua liberdade deveria constatemente travar uma luta interna contra as influencias externas.Assim como o anarquismo, o existencialismo em sua raiz tanbem então não acreditam em forma alguma de governo humano, a diferença por si é que pro anarquismo o poder corrompe o homen já ao existencialismo o homem corrompe o poder a medida que que se corrompe tanbem. O homem em sua origem não é bom nem mal porem impossibilitado de seguir suas proprias regras . Assim tanto o anarquismo como o existencialismo lutam por uma libertação, e em ambos a imposição da sociedade sobre os individuos são um problema. Uma vez que tanbem é impossivel um estado imposto nao impor sua moral deveria ser parte da luta por libertação individual tanbem a luta contra o estado. Assim logo nem todo anarquista deveria ser em si existencialista, porem o existencialismo em sua essencia ao negar todos os padrões de aprisionamento social é sim anarquista.
Snow Pantra Queer