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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Simone Weil, a graça sem rotulos


"Todos os movimentos naturais da alma são controlados por leis análogas às da gravidade e da física. A graça é a única exceção." Simone Weil


Simone Weil (1909-1943) foi uma mulher insuportável, idealista, ativista, engajada, asceta, iluminada e francesa. Para escândalo dos pais, recusou-se aos cinco anos a comer açúcar, porque ouviu que os soldados no front estavam privados dele. Pela mesma razão abandonou a carreira confortável de professora e foi trabalhar durante a Depressão entre gente operária numa fábrica da Renault, recusando-se a comer mais do que a ração dos proletários e participando ativamente de todos os piquetes e greves com que acenavam as lutas anti-estatistas. Problemas de saúde obrigaram-na a deixar a fábrica, mas ele aproveitou a deixa para juntar-se à causa dos radicais republicanos na sangrenta Guerra Civil da Espanha, Mesmo sendo míope e frágil, recebeu um rifle e foi incorporada a uma unidade de anarquistas jurando ao mesmo tempo jamais usar a arma que lhe colocariam nas mãos e na Resistência Francesa, em Londres; por ser bastante conhecida, foi impedida de retornar à França como pretendia; acometida de tuberculose, não teria admitido se alimentar além da ração diária permitida aos soldados, nos campos de batalha, ou aos civis pelos tickets de racionamento. Com a progressiva deterioração de seu estado de saúde, em estado de desnutrição, faleceu poucos dias depois de seu internamento hospitalar. Ela notou a subordinação, seja da social democracia à burguesia gestora do Estado capitalista, seja da Internacional comunista ou Komintern, à burocracia gestora do Estado soviético.Publicou um artigo considerado herético pelos marxistas ortodoxos "Vamos nós para a revolução proletária?", no qual enfatizava: a opressão do proletariado era causada pelas técnicas da produção industrial, presentes tanto no capitalismo quanto no socialismo burocrático vigente na Rússia. Aos materialistas históricos faltara a capacidade de enxergar o real com a lucidez que lhes permitisse tanto compreender a realidade histórica das primeiras décadas do século XX, quanto formular a crítica à infundada expectativa de uma efetiva ou iminente revolução proletária. A epígrafe desse artigo, que teve o mérito de antever a falência do socialismo real, eram os versos do Ajax de Sófocles: "não tenho senão desprezo pelos mortais que se nutrem de esperanças vãs". Talvez, como ela observou posteriormente: "não é a religião, mas a revolução que é o ópio do povo"A sua própria experiência de operária metalúrgica, iniciada alguns meses mais tarde, levou-a a mais e melhor compreender: em nenhum país onde prevaleciam as técnicas produtivas implantadas a partir do modo de produção capitalista (incluindo os que estavam sob o domínio do nazismo, do fascismo e do stalinismo), o planejamento da produção estava prestes a cair sob o controle operário; assim, os mais generosos ou corajosos militantes revolucionários, na mais trágica hipótese, seriam mártires em busca de sua própria morte. Desanimada com as atrocidades que havia visto seu próprio lado cometer, Simone reafirmou seu pacifismo. Ela escreveu "embora vivamos entre realidades mutáveis, diversas e determinadas pelo jogo volúvel de necessidades externas, agimos, lutamos, sacrificamos a nós e a outros em nome de abstrações cristalizadas, isoladas" (como nação, capitalismo, comunismo e fascismo).

Simone Weil entregou-se quase que casualmente ao cristianismo, através de uma antiquada experiência mística – no momento em que, atormentada por uma implacável enxaqueca e recitando um poema de George Herbert, ouvia um canto gregoriano na Abadia de Solesmes.
Weil havia experimentado a “união mística”, e jamais abandonaria depois disso o abraço da Graça. Porém, , recusou até o fim todas as facilidades e respostas fáceis providas pelo cristianismo institucional. Simone Weil, que amava contradições e paradoxos e os mitos de todas as culturas, permaneceria até o fim uma "secular" (como chamam os crentes).
Mais até mesmo do que o Antifascista Dietrich Bonhoeffer, Weil parece ter compreendido o tremendo distanciamento e alienação que uma era pós-religiosa exigiria de um louco que ousasse neste mundo louco perseguir a loucura de seguir a Graça. Um verdadeiro libertário mesmo que "cristão" , propuseram Weil e Bonhoeffer em vidas e vocabulários distintos, teria abrir mão do conforto de todos os rótulos, até mesmo do que lhe seria mais caro, o do próprio cristianismo.
Em seu prefácio a Waiting for God, Leslie A. Fiedler explica assim essa terrível posição:
Associar-se ao contexto de uma religião particular, sentia ela, teria por um lado exposto Weil ao que ela chamava de “patriotismo eclesiástico”, com a conseqüente cegueira para as falhas do seu próprio grupo e as virtudes dos outros; por outro, teria separado Weil da condição dos seres comuns aqui embaixo, que permanecemos todos “alienados, sem raízes, em exílio”. O mais terrível dos crimes é colaborar com o desenraizamento de outras pessoas num mundo já por si mesmo alienado; porém a maior das virtudes é desenraizar-se por amor ao próximo e a Deus. “É necessário desenraizar-se,” escreve Weil. “Corte a árvore, faça dela uma cruz e carregue-a para sempre”.
Nietzsche dizia que os cristãos de hoje, depois de dois mil anos de conforto, haviam se tornado incapazes de apreender o tremendo paradoxo que tinha sido, nos primeiros séculos da nossa era, conceber algo como “Deus na cruz” (talvez tenha sido por compaixão a essa gente que Nietzsche recriou o paradoxo com o seu conhecido “Deus morreu” – e ele acrescenta, desnecessariamente, com uma devoção de beata: “nós o matamos”).
Ler Simone Weil é deparar-se com os paradoxos do cristianismo em linguagem horrivelmente lúcida, sem maneirismos e sem disfarces. Nietzsche fingia crer que a moral cristã é impensável; Weil corrige essa generosidade, e esclarece que tudo no cristianismo é rigorosamente impensável e terrível e vertiginoso e paradoxal.
“PRECISÁVAMOS DA ENCARNAÇÃO PARA IMPEDIR QUE ESSA SUPERIORIDADE SE TORNASSE UM ESCÂNDALO”.
Um único exemplo deverá por enquanto bastar para emblemar o que quero dizer. Weil anota: “O sofrimento é superioridade do homem em relação Deus. Precisávamos da Encarnação para impedir que essa superioridade se tornasse um escândalo”.
O sofrimento é superioridade do homem em relação a Deus.
Weil cria (com os místicos medievais judeus, que talvez nunca tenha lido) que para dar espaço para o universo que tencionava criar Deus se recolhera, se diminuíra, retirara-se do universo para que o universo pudesse existir. As implicações dessa iniciativa eram, como em tudo que Deus coloca a mão, terríveis e impensáveis. Os paradoxos! Se Deus se recolheu, a soma de Deus mais o universo mais todas as suas criaturas é ainda menor do que Deus. Se o sofrimento é superioridade do homem em relação a Deus, somos deuses a quem Deus concedeu (paradoxalmente) um privilégio que ele mesmo nunca conheceu – ou não conhecera em plenitude – antes de Jesus. Semelhantemente, ele nos convida a que sejamos pequenos deuses que o imitem naquilo que ele, Deus, recusou-se a fazer: apegar-se à superioridade da sua condição.
Mais do que isso: apenas a renúncia, o altruísmo, a abstenção, são neste mundo atos verdadeiramente criativos – em que espelham o retraimento, o desenraizamento criativo de Deus. Nossa obsessão com a auto-afirmação, justamente ao contrário do que parecia sugerir Nietzsche, é que é essencialmente redundante e niilista.
Simone Weil, que teve poucos amigos, anotou certa vez no seu diário: “nunca busque a amizade… nunca se permita sequer sonhar com a amizade… a amizade é um milagre!” De fato é um  milagre. uma graça porque é algo imerecido, ninguém a merece e é completamente contra qualquer instinto de auto-preservação, mas contra toda a logica ela existe e nós ajuda vivermos bem.
Weil concluiu que duas grandes forças forças governavam o Universo: a gravidade e a graça. A gravidade leva um corpo a atrair outros corpos, de modo que aumenta continuamente, absorvendo mais e mais do Universo em si mesmo. Alguma coisa igual a essa mesma força opera nos seres humanos. Nós também queremos nos expandir, adquirir, inchar significativamente.  O desejo de "sermos como deuses", afinal, levou a humanidade a matar-se uns aos outros. Emocionalmente, Weil conclui: nós, humanos, operamos por meio de leis tão fixas quanto a lei de Newton. "Todos os movimentos naturais são controlados por leis análogas às da gravidade física. A graça é a unica exceção." Muitos de nós continuamos presos pelo campo gravitacional do amor-próprio e, assim, "tapamos as fissuras pelas quais a graça poderia passar".

Mais ou menos na época em que Weil estava escrevendo, outro refugiado dos nazistas, Karl Barth, fez o comentário  de que o dom do perdão, da graça, era para ele o mais surpreendente dos seus milagres. Os milagres quebraram as leis das físicas do Universo; o perdão rompeu as regras morais nos mostrando que somos livres. "O inicio do bem é percebido no meio do mal.... A simplicidade e a abrangência  da graça - quem as medirá?" Aquele que foi tocado pela graça não vai mais olhar para quem  se desviou como "aquela gente ruim" ou "aquela pobre gente que precisa de nossa ajuda". Nem devemos procurar sinais de "merecimento de amor". Categorias de merecimento não valem nada. Em sua autobiografia, o filósofo alemão Friedrich Nietsche falou  de sua capacidade de "sentir o cheiro" das partes mais ocultas de cada alma, especialmente a "abundante sujeira escondida no fundo do caráter".  Nietzsche foi um mestre da ausência da graça. Nós somos chamados para fazer o oposto, para sentir o cheiro dos resíduos do valor oculto.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Os Anabatistas e o Existencialismo

Os anabatistas são grande referencia de exemplo de como podemos avaliar para se começar uma experiencia de socialismo não estatal. De fato ao ser um movimento que ainda no tempo da Reforrma se levantou a negar a autoridade do estado e das hierarquias religiosas serviram já de grande inspiração para o criador do anarquismo como teoria politica Williiam Godwin como ele mesmo aponta. Os anabatistas então são uma grande referencia histórica de resistencia contra opressão tendo sido elogiada até por defensores do estado como Marx. Mas gostária de estender aqui que os anabatistas como revolta camponesa alem de serem referencias para experiencias socialistas se enquandrando como um anarquismo real infelizmente dizimado pelas forças opositoras da epoca, também compartilhavam dos mesmos pontos do que mais tarde viria a ser chamado na filosofia como existencialismo.
O existencialismo tendo sua origem como pensamento filosofico têm sua base em Kierkgaard que ao negar estetico, social e religioso propôem o esvaziamento da pessoa de seus moralismos possibilitando uma nova forma de se religar ao que seria a raiz de sua existencia.
Surpreendentemente, os anabatistas através de Münzer expressam esta mesma idéia "Quando percebemos a finidade humana, desgostamo-nos com a totalidade do mundo. E nos tornamos pobres de espírito. O homem é tomado pela ansiedade de sua existência de criatura e descobre que a coragem é impossível. Nesse momento ele deixa de resistir ao que se manifesta e ele é
transformado.” Igualmente como no existencialismo na experiencia anabatista a individualidade de cada um é resaltada uma vez que reforçam a idéia de que antes de uma salvação coletiva a salvação deve ser individual. Ao enfatizar a liberdade e individualidade de cada um em oposição a todas as formas de moralismos e aprisionamentos na mente, propondo assim um nascer de novo da mesma que ainda assim nos manteria nessa luta constante pela construção de um reino de liberdade, mostra que já no movimento anabatista continha dessa forma toda a base do pensamento existencialista.

Outras Fontes:
http://www.viapolitica.com.br/artigo_view.php?id_artigo=79

quinta-feira, 22 de março de 2012

Socialismo nasceu sem estado

Muitos advogam hoje sobre a impossibilidade do socialismo sem um estado ou algum outro centralismo. Outros só conseguem definir o socialismo como sistema estatal. E muitos ainda defendem o que o método de transição através do estado é o único aceitável porque seria o único "científico". Mas estudando a origem do socialismo em si vemos que o mesmo não se baseou em experiencias estatais. Pois bem, anterior a própria expressão "socialismo" temos a experiencia dos anabatistas. Em 1525 os Anabatistas foram um dos grupos a tentar experiencias para se acabar com as hierarquias de um meio. Advindos do tempo da reforma protestante, enquanto todas os grupos da época absorviam e reproduziam o capitalismo ou os moldes do que estaria se tornando o que mais tarde viria a ser chamado de capitalismo. Eles ao se inspirarem na experiencia descrita em atos dos apóstolos resolveram voluntariamente abolir as posses privadas entre eles tornando a maior parte dos bens como coletivos. Diria então um teórico moderno que necessitaria então de um órgão central planejador? Nada disso, era tudo voluntario, na base do voluntarismo e as pessoas se agregavam porque tinham vontade. Outra característica interessante  dessa experiencia pré-socialista é que eles negavam toda a autoridade, seja eclesial, seja dos reis e príncipes, seja do clero ou da nobreza. Não a toa era formada em sua maior parte pelos camponeses. Essa entre muitas outras experiencias posteriores deram origem a noção do que mais tarde seria chamado de socialismo e grande parte relegado hoje como utópico (a maioria das vezes até mesmo por rejeitar a ideia de estado ou outro órgão central)
Muitos responderiam então se essa forma de socialismo dá tão certo porque não existe até hoje? Simplesmente porque os católicos e protestantes assim como também os reis da época se sentindo ameaçados por esse sistema que subvertia a ordem negando o acumulo de riquezas e a obediência as autoridades os massacraram e dizimaram militarmente. Assim não se teve nenhum colapso nem divergência interna que levou ao fim do grupo e sim uma intrusão externa violenta de forma esmagadora.


Se temos que desconsiderar alguma forma de socialismo é justamente a estatal que ao recorrer ao estado acaba mesmo que involuntariamente impondo uma hierarquia e submissão, princípios totalmente opostos a qualquer ideia mais primaria do próprio socialismo.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Religião, uma forma de controle


Muitos teistas religiosos vêm a se opor aos anarquistas e/ou aos existencialistas por acreditarem que todos nós somos contra qualquer pessoa que acredite em qualquer conceito de Deus. Sem duvida aos que acreditam em um Deus opressor que se relaciona com as pessoas como donos de escravos ou como lider maximo e não como uma amigo proximo ou um ser distante irei combater vêementemente tal ideia. Qualquer Deus que venha a nos impor qualquer regra consequentemente vai contra minha liberdade é meu inimigo. Porem é bem verdade que a crença em um Deus não precisa necessariamente carregar essas caracteristicas como os proprios fudadores de tais pensamentos libertários expressaram.
Porem é fato que todos os existencialistas ou anarquistas que eram a abertos a crença em Deus eram contra as religiões. Porque? Pois entendam, o siginificado de "Religião" vêm de religar que significa se ligar de novo a Deus. A religião então seria um conjunto de regras, preceitos ou morais que te ligariam de volta a Deus. Assim as igrejas cristãs institucionais de hoje por exemplo pregam que podemos nos religar a Deus com dizimos ou outras sacrificios materiais, a igreja medieval pregava a salvação claramente por meio de obras, algumas vertences do budismo pregam o caminho pra iluminação através de uma purificação interior atravês do isolamento. Enfim a caracteristica da religião é então impor alguma coisa (algum sacrificio, algum caminho que você tenha que percorrer, algo a ser conquistado) para te religar a Deus. Se você não fizer o que foi pré-determiniado pelos fundadores dessa religião sua comunhão com esse Deus é negada. Essa é uma forma de dominação bem sutil, através desse mecanismo se cria toda uma rede de moralismos que dominaram a mente de tais religiosos. É abertamente uma maneira de fazer com que as pessoas façam o que você quer ou sigam a moral que vocês desejam. Mas isso não por um impulsso voluntario ou individual, mas por uma obrigação, uma troca na qual você barganha ou com um Deus tirano que te obriga a fazer as vontades dele ou um Deus capitalista mercantil que impôem valores. E mesmo as religiões descrentes em Deus mas que tanbem impoem obras, morais ou caminhos para se alcanssar uma iluminação ou salvação são igualmente opressoras. O proprio deismo quando reduzido a um moralismo como por exemplo no caso de Tolstoi (não me entendam mal, no campo da politica Tolstoi foi um cara fantastico, mas no sentido filosofico não passava de um moralista) se torna uma forma de dominação. Você passa a fazer as coisas não porque vêm da sua voluntariedade ou pq acha preciso mas pelo conjunto de valores que lhe foram impostos a serem seguidos.
Assim vejo problema na Religião sim que deve ser combatida, por mais que seu Deus seja humanista ou biocentrico. Se ele te impoem qualquer condição pra se ligar a ele não é um Deus libertário que te respeite como individuo. Assim faço apelo aos teistas que antes de julgar a nós anticlericais simplesmente como um repudiadores gratuitos de suas crenças, examinem vocês mesmos suas consciências para verem se o seu Deus é mesmo tão libertador como pregam. Se como o Deus que os primeiros socialistas e anarquistas acreiditavam não impoem nenhuma condição para se salvar e se aproximar dele e igualmente respeita aqueles que o rejeitam não os obrigando a se religar com ele tanbem não há motivo algum para expressar isso como uma religião, do contrario acredito infelizmente que você é mais um gado util a ser manipulado pelos interresses de terceiros.
Snow Pantra Queer

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Simone de Beauvoir, Existencialismo e Feminismo

Nascida em paris, filha de um advogado e ator que então ainda acreditava fazer parte da aristocracia francesa, sua mãe, provinha de uma família da alta burguesia, porém à beira da ruína.Foi professora de filosofia de 1931 até 1943 em escolas de diferentes localidades francesas. Durante a segunda guerra mundial o racionamento torna a vida em Paris bastante difícil, ainda mais agravada pelo inverno mais rigoroso do século. Simone passa suas tardes refugiada na Bibliothèque Nationale, estudando a fundo Kierkegaard e outros. Em Março de 1941 faz parte da fundação de um grupo sobe o lema Socialisme et Liberté (Socialismo e Liberdade) composto por escritores e intelectuais com a tarefa de reunir e disseminar notícias, buscando apoio para a Resistência. Em 1961 Simone participa da criação de uma Liga para a União Antifascista, que organiza em novembro uma manifestação pela paz na Argélia.
Em janeiro de 1962 o apartamento dela é destruído por uma bomba plástica. A vida de Simone é ameaçada no dia em que aparece seu livro sobre Djamila Boupacha, escrito em parceria com Gisèle Halimi. O duplo testemunho torna mundialmente público o caso de uma argelina que, acusada de atentado, foi seqüestrada, torturada e violentada com uma garrafa quebrada por militares franceses. A paz na Argélia é declarada em março de 1962. Em 1970 Simone cria, juntamente com Michel Leiris uma associação, Les Amis de la Cause du Peuple, e em junho, ela e Sartre vão para as ruas distribuir o jornal. Nesta ocasião a polícia não os incomoda, mas na semana seguinte, quando o fato se repete, os dois são presos com mais 16 pessoas. Na delegacia, apenas o casal é liberado.
Sartre e Beauvoir explicam que haviam distribuído os jornais não para serem presos, mas por que acreditavam na liberdade de imprensa, e pretendiam mostrar a incoerência e covardia do chamado sistema judiciário. Em novembro, Beauvoir se engaja no Mouvement de Libération des Femmes.. Em 1974 cada vez mais ligada ao feminismo, Simone funda, juntamente com outras feministas, a Liga dos Direitos da Mulher.
Simone mantinha um relacionamento com o tanbem filosofo existnecialista Sartre. Em 1957 a saúde de Sartre começa a deteriorar-se. Obstinado, ele trabalha excessivamente, sustentado por grande quantidade de remédios, a esse ritmo frenético soma-se o abuso do álcool. Preocupada, não suportando vê-lo se destruir, Simone começa a assumir o papel de enfermeira e guardiã, esforçando-se para que ele limitasse o uso de intoxicantes, em vão. Com a morte de seu companheiro, em 15 de abril de 1980, Simone vê sua saúde se complicar, com o uso abusivo do álcool e das anfetaminas. Ela falece no dia 14 de abril de 1986, aos 78 anos de idade. Simone morreu em 14 de abril de 1986, um dia antes do aniversário da morte de Sartre, tendo realizado seus dois sonhos de infância: o de se tornar escritora e o de ser uma mulher independente. Mas também sem realizar um de seus maiores desejos desde que conheceu Sartre: o de que seu companheiro de toda a vida não morresse antes dela. Cinco dias depois ela é enterrada no cemitério de Montparnasse, junto ao seu amado Sartre.

Patriarcado, o problema sem nome

No campo das ideias Simone de Beavoir se inspirou principalmente no existencialismo e no feminismo sendo a primeira (até onde vai meu conhecimento) a juntar ambos revolucionando assim o campo de atuação do feminismo e sua visão. Se inspirava principalmente no criador do existencialismo Kierkgaard ao qual leu muito durante o periodo da segunda guerra. Kierkgaard como cristão acreditava que a corrupção inerente ao homem faz com que toda sociedade seja igualmente corrupta e opressora e mesmo quando o individuo tenta se livrar dessa corrupção a moral social arrasta essa pessoa novamente pra baixo fazendo com que o individuo livre trave uma luta eterna contra a moral social corrupta ao seu redor. Já o feminismo foi criado por Mary Wolltonecraft, cuja a fonte de mesma inspiração que Kierkgaard a motivava a lutar por uma sociedade livre e mais igual onde as mulheres e os homems tivessem iguais oportunidades. Não tolerando assim o preonceito, criticando entre outras coisas o casamento institucional que condicionava a mulher a escrava do homem e clamando contra os abusos e violencia que a propria desigualdade causavam.
Um dos meritos da Simone de Beauvoir foi unir as duas correntes criando assim um ponto de vista completamente novo. Do mesmo modo então como a sociedade está carregada de moralismos opresores, igualmente a questão do machismo se enquadra entre essas morais. O sexo masculino compreendia a medida primeira pela qual o mundo inteiro era medido, incluindo as mulheres, sendo elas definidas e julgadas por este padrão. O mundo pertencia aos homens. As mulheres eram o “outro” não essencial. deBeauvoir observa esta iniqüidade do status sexual em todas as áreas da sociedade incluindo a industrial, política, educacional e até mesmo em relação à linguagem. As mulheres foram forçadas pelos homens a se conformar e se moldar àquilo que os homens criaram para seu próprio benefício e prazer. Às mulheres de seus dias não foi permitido ou não foram encorajadas a fazer ou se tornar qualquer outra coisa além do que o feminino eterno ditava. A moral do ideal feminino tornou muitas mulheres infantis e frívolas, quase como crianças, levianas e femininas; passivas; garbosas no mundo da cama e da cozinha, do sexo, dos bebês e da casa. Ela afirma que a única maneira para a mulher encontrar-se a si mesma e conhecer-se a si mesma como uma pessoa seria através da obra criativa executada por si mesma para alem dessa moral. Friedan batizou o dilema das mulheres de “um problema sem nome”. Para se libertar disto, as mulheres precisariam ter controle de suas próprias vidas, definirem-se a si mesmas e ditar o seu próprio destino. No final dos anos 60 a autora feminista Kate Millett usou o termo “patriarcado” para descrever o “problema sem nome” que afligia as mulheres. O termo tem sua origem em duas palavras gregas: pater, significando “pai” e arche, significando “governo”. A palavra patriarcado era entendida como o “governo do pai”, e era usada para descrever o domínio social do macho e a inferioridade e a subserviência da fêmea. As feministas viram o patriarcado como a causa última do descontentamento das mulheres. A palavra patriarcado define o problema que deBeauvoir e Friedan não puderam nomear mas conseguiram identificar. Assim com a união dessas duas correntes de pensamento libertário surge o feminismo moderno, sabendo localizar uma das grandes causas da opressão feminina e assim estendo seu combate para alem da politica, tanbem na cultura e contra o moralismo social.
Snow Pantra
Algumas Fontes: http://www.simonebeauvoir.kit.net/

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O problema do Moralismo

O anarquismo é a entre outras coisas a defesa da liberdade em contraste com a opressão do Estado. Acredito que como libertários a luta pelo desligamento em relação ao estado é essencial, mas mantenho a crença de que não é somente o estado que destroi minha liberdade.  A sociedade de forma geral tem um poder coercitivo tremendo de criar varias morais escravizantes. No nosso objetivo por libertação acamos por nós mesmos em combate a moral estabelecida acabando por criarmos nós mesmos um moralismo que nos guie. Vou usar um exemplo comparativo aqui com dois autores aos quais já citei em outros textos.
Kierkgaard e Tolstoi
Ambos se basearam nas experiencias cristsianismo primitivo para negar o estado, ambos foram contra a moral vigente e ambos então negaram qualquer forma de poder e imposição por força, ainda assim são considerados filosofos com linhas bem diferentes e inspirado comumente grupos totalmente diferentes.
Tolstoi em negação ao estado, as autoridades e as hierarquias propoem a criação de uma moral deista na qual todo aquele que fugisse a sua proposta estava em erro. Assim ele acaba por resumir a luta pela liberdade num moralismo ferrenho, fazendo sermões aos quais ele mesmo em sua condição humana não conseguia seguir. Ao acompanhar suas obras politico-filosoficas é possivel ver em Tolstoi uma luta por uma possivel santificação do homen atravês das obras, uma santificação através das obras que levariam a criação de um ser humano mais libertário, amoroso e irmão. Alem de não conseguir cumprir tal objetivo a si mesmo como ele mesmo diagnosticou em varios relatos de certa forma ele mesmo acabou se predendo a essa mortal trocando sua propria liberdade por um conjunto de preceitos. O proprio estudo da praxeologia (estudo da ação humana) vêm de certa maneira a demonstrar a impossibilidadde humana de se seguir regras quando se impostas como um fardo.
Por outro lado observando a obra de Kierkgaard vemos na luta pela liberdade a luta tanbem por libertação da propria moral. Kierkgaard entendia que embora existe em sua opinião atitudes certas e erradas (ou coisas escravizantes e libertadoras), a impossibilidade de traduzir isso tudo numa moral. Ao contrario que o proprio moralismo em si fazia parte dessas atitudes escravizantes. Assim Kierkgaard vêm a propor como caminho para se obter a libertação a negação de qualquer moralismo e sendo o estado, a religião institucionalizada e a propria sociedade principais propagadoras desse moralismo, o desligamento de qualquer forma de institucionalide ou o combate a qualquer forma de institucionalidade e do sistema que representa essa institucionalidade. Colocando a luta contra o moralismo como um dos principais meios para se alcansar a liberdade, Kierkgaard conseguiu se libertar até apegos que a moral tolstoiana combatia mas o propio Tolstoi não conseguiu alcanssar. Enquanto não aceitarmos a nossa propria imperfeição  humana que nos torna incapazes de seguir muitas vezes muitos dos nosso proprios principios e priorizarmos  criar uma moral julgadora estaremos eternamente presos a algum sistema, mesmo que não explicitamaente institucional.
Não foi meu objetivo aqui dizer que Kierkgaard é melhor que Tolstoi ou que aqueles que reconhecem  que a luta contra o moralismo são melhores que aqueles que não reconhecem, mas sinalizar um ponto que acredito fundamental quando objetivamos a verdadeira liberdade e até complementar isso aqueles que não refletiram sobre tal ponto de vista.
Snow Pantra Queer

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Existencialismo e Anarquismo

Hoje vou falar da relação entre existencialismo e anarquismo, suas diferenças, semelhanças e porque na minha opinião um deve completar o outro.
Vamos começar pelo que seria em si o existencialismo. O existencialismo em si é a corrente filosofica individualista que prega a libertação total do individuo de toda e qualquer moral imposta socialmente. Entre suas teses o existencialismo argumenta como simplificou Sartre que a Existencia precede a essencia, logo ninguem nasce pré determinado a seguir um caminho mas está livre em seu livre arbitrio pra se responsabilizar por suas escolhas ao mesmo tempo em que vai absoverndo as morais impostas socialmente, o existencialismo prega então a libertação dessa moral.
Já o anarquismo como doutrinha politica, prega ao mesmo tempo toda a forma de libertação da propria politica, advogando formas de se libertar dos governos e hierarquias impostas. Porem como ponto central a liberdade, pretende-se respeitar as demais escolhas feitas mesmo a de quem não queira se libertar. Assim o anarquismo prega um mundo de varios mundos onde os proprios anarquistas estarão lutando constantemente por liberdade, seja pacificamente como Tolstoi, seja pela guerrilha de defesa como Jan ziska ou seja atravês do dialogo como Godwin. O anarquismo tanbem se estende na economia a partir de Prudhon como negação total do estado e atravês da praxeologia (estudo da ação humana) por demonstrar a ineficiencia governamental, logo como principal bandeira em prol da liberdade o anarquismo defende o fim do Estado.
Voltando ao existancialismo com a contribuição de Sartre ele foi usado como defesa das bandeiras de esquerda, Porem venho a recorrer a origem do existencialismo pra afirmar ao contrario, o exisntecialismo assim como o anarquismo em si deveria em sua essencia mais pura siginificar a negação de qualquer imposição politica. O existencialismo como conhecemos foi criado incialmente por Kierkgaard, cristão acreditava que o homem em si era corrupto e sua corrupção se extendia em todas as esferas, social, religiosa e governamental. Assim mesmo que o ser humano de alguma forma se religasse a seu estado amoral, as morais impostas pela sociedade constantemente o arrastariam para sua corrupção novamente, sendo assim o homem para manter sua liberdade deveria constatemente travar uma luta interna contra as influencias externas.Assim como o anarquismo, o existencialismo em sua raiz tanbem então não acreditam em forma alguma de governo humano, a diferença por si é que pro anarquismo o poder corrompe o homen já ao existencialismo o homem corrompe o poder a medida que que se corrompe tanbem. O homem em sua origem não é bom nem mal porem impossibilitado de seguir suas proprias regras . Assim tanto o anarquismo como o existencialismo lutam por uma libertação, e em ambos a imposição da sociedade sobre os individuos são um problema. Uma vez que tanbem é impossivel um estado imposto nao impor sua moral deveria ser parte da luta por libertação individual tanbem a luta contra o estado. Assim logo nem todo anarquista deveria ser em si existencialista, porem o existencialismo em sua essencia ao negar todos os padrões de aprisionamento social é sim anarquista.
Snow Pantra Queer

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Cristianismo/Feminismo/Anarquismo qual a relação?

                                                        Anarquismo e Ordem (Prudhon)

Há muito tempo eu vejo um revisionismo tentando mostrar o feminismo como uma vertence do pensamento politico que posteiormente teria se ligado ao anarquimo criando o anarko-feminismo. Do mesmo modo vejo tanbem eclodirem alguns novos movimentos "anarko-cristãos" que se dizem tentar fazer uma releitura anarquista do cristianismo como se o mesmo fosse algo no qual somente alguns principios poderiam ser posteriormente ligados. Porem uma releitura minunciosa da história vêm a me provar o contrario de ambos.
Comecemos pelo feminismo, qual a real origem do feminismo, bem o feminismo hoje entendido como teoria politica organizada pelo menos. Há muito tempo um grupo tido como hereges e anticlericais foi perseguido e criminalizado, um grupo no qual se encontrava não só figuras conhecidas pelos anarquistas hoje como William Godwin como tanbem a precurssora do feminismo Mary Wollstonecraft. O que muitos não sabem é aproximação de ambos e até onde uma ideia não influenciou a outra ou tiveram origens comuns.Ok, você se pergunta então o que o cristianismo tem a ver com tudo isso? Bem já chego lá.

Antes de mais nada queria separar aqui o cristianismo religião dos ensinamentos de Jesus em si, o cristianismo anti-institucional como chamam hoje. Fato que qualquer leitura atenta da Biblia mostrará um Jesus não só perseguido pelos religiosos (judeus fariseus, pagãos romanos etc) como tanbem um respeitador de todos os credos de raças, de judeus a samaritanos. Em seu ambito Jesus foi perseguido e morto não só pelos relogiosos da epoca como tanbem os poderosos defensores do imperio, mas essa perseguição não se deu a toa. Primeiro Jesus vêm a inaugurar o conceito de graça numa sociedade onde tudo era conseguido por merito e honra e onde as religiões falavam de barganhas para alcanssar a salvação Jesus vêm a defender que a salvação viria como um dom gratuito pelo unico fato de reconhecer a propria corrupção humana, Corrupção essa que tanbem desconsideraria qualquer forma de autoridade humana criando assim um dos maiores principios que nos guia hoje "todo poder corrompe". De igual modo Jesus alem de lutar contra o poder defendia em sua graça que mesmo não sendo merecedores Deus derrama seu Sol sobre todos bons ou mals, todos assim merecendo tudo, tudo para todos. Apos sua morte e morte de cruz, o crussificado pelos sistema deixou diversos seguidores que não só negavam a autoridade do estado como se reunindo em suas casas negavam a autoridade religiosa pregando a contrução de um "reino de Deus" onde não existiriam meritos ou autoridade mas somente graça, abundante graça. Não demorou muito para que a propria corrupçaõ humana pregada por Jesus fizesse com que poderosos abocanhassem  e deturpassem seus ensinos e transformassem o cristianismo numa religião defensora do estado.
O verdadeiros cristãos foram então perseguidos dando origens então a novas predominancias teologicas que não só defendiam o poder e o trabalho como tanbem entregavam esse poder aos donos do estados e autoridades religiosas, se instituiu então uma ditadura religiosa que matava toda a divergencia inclusive que tentasse restaurar a raiz do cristianismo. Com o advento da reforma protestante que dividiu o cristianismo institucional em diversas correntes religiosas foi possivel a um grupo tentar recriar esse primeiro cristianismo sem mestres ou meritos, esses grupos se autodenominavam anabatistas. Não demorou para que o anabatismo se tornasse uma ameaça não só aos reis como aos religiosos provocando assim uma união entre protestantes e catolicos para exterminar a "ameaça camponesa". Como simbolo principal os anabatistas tinham o Alfa e o Omega (a letra A circulada por um O). Anos foram se passando até que varios grupos tentam reproduzir essa organização atravês da força ou atravês da liberdade como os originais, os mesmos foram então considerados precurssores do socialismo. O socialismo forçado com o tempo vai então se contaminando cada vêz mais com ideias estatizantes até que uma dissidencia do anglicanismo novamente tenta recriar a "heresia" dos anabatistas e dos primeiros cristãos.

E o anarquismo e feminismo nisso tudo? Bem lenbra aquele grupo herege anticlerical a qual me referi no começo do texto? É ele essa dissidencia do Anglicanismo a qual me refiro, ele serviu de base para toda a oposição a religiosidade e a autoridade (estatal ou clerical) que influenciou tanto o anarquismo de Godwin quanto o feminismo de Mary Wolltonecraft, sua esposa (o proprio A com o em volta foi reaproveitado por Godwin). Godwin então foi um dos primeiros a colocar como teoria politica o que mais tarde viria a ser chamado de anarquismo, enquanto Mary Wollstonecraft sua esposa baseado não só nas pessimas experiencias que passou pela propria vida como nos ensinamentos do nazareno que conversou e foi atencioso com mulheres numa sociedade onde elas já eram consideradas como lixo inspiraram a criar o que tanbem veio a se chamado de Feminismo. Outra grande curiosidade é que tanto o Feminismo como teoria politica como o Anarquismo não nasceram separados mais juntos se influenciando mutuamente. Posteiriormente Prudhon estendo o anarquismo de teoria politica a economica, retira então todo seu contexto antisexista que demoraria algum tempo pra ser resgatado (alem de dar novo siginficado a sua simbologia Anarquia e ordem), o feminismo tanbem toma outro caminho se desprendendo um pouco de sua origem. Porem conhenhecer a História é indispensavel para que os opressores não modifiquem o passado e reescrevam tanbem nosso presente/futuro. Reconhecer a raiz libertaria e anarquista do feminismo é mais do que necessario pra reconhecermos um dos maiores e eternos aliados do patriarcado, o estado.
Não acho tanbem que seja indispensavel para uma anarquista ou feminista ter alguma forma de espiritualdade, mas combater como se qualquer forma de credo teista fosse um mal alienatorio tanbem é não só ser intolerante e fechado a novas ideias como negar uma das principais contrbuições a luta pela liberdade.


                                                          Alfa e Omega (principio e fim)

Snow Pantra Queer